Meditação e Neuroimagem

Como a Meditação atua no cérebro humano?

Já sabemos que a meditação é uma arma valiosa no tratamento não farmacológico da ansiedade e estresse, neste artigo vamos revisar mais um estudo publicado em 13 de janeiro 2020 na revista Brain and Cognition revelou que a prática da meditação:

→ Reduz ansiedade e estresse após praticar por 3 meses

→ Promove modificações funcionais positivas no cérebro

 

O que é Meditação aos olhos da neurociência?

O termo “meditação” refere-se a uma série de diferentes práticas mentais que estão associados ao pensamento, reflexão e contemplação e que determinam um aprimoramento das funções psicológicas e cognitivas, como regulação de emoções, gerenciamento do estresse, empatia, atenção e memória. Uma classificação de práticas de meditação em três grandes categorias foi recentemente proposta: atenção focada, monitoramento aberto e amor-bondade/compaixão.

Uma modalidade de meditação tem demonstrado promover o bem-estar psicológico, principalmente em termos de ansiedade, estresse e redução da depressão. Alguns estudos relacionaram técnicas de meditação com mudanças benéficas na arquitetura funcional e estrutural cérebro.

Como funcionou o estudo?

Com base nessas evidências um grupo buscou identificar se a prática diária de 40 minutos de meditação por dia (dois períodos de 20 minutos) por um período de três meses promove melhora do estado psicológico e avaliar a mudança de funcionalidades cerebrais. A técnica testada consiste em sentar confortavelmente com os olhos fechados e repetir de forma silenciosa um mantra. Além disso, dois exames de ressonância magnética funcional foram realizados para explorar os efeitos da medicação na estrutura e função cerebral antes e depois do período da prática.

Meditaçao

Resultados psicológicos

Os efeitos da prática de meditação na depressão/ansiedade/estresse depois de três meses de prática demonstraram melhora no bem-estar, enquanto os mesmos efeitos não foram observados no grupo controle. Este achado está em linha com os resultados de outros estudos relatando efeitos positivos de uma prática de 3 meses sobre o humor, ansiedade e estresse. Da mesma forma, a meditação tem se mostrado eficaz na redução do sofrimento psíquico e na melhoria da qualidade de vida em várias populações clínicas, incluindo pacientes que sofrem de HIV, doenças cardiovasculares, câncer de mama e condições sociais desfavoráveis.

Mudanças no cérebro

De acordo com uma recente meta-análise sobre os achados funcionais de diferentes práticas de meditação, o córtex insular é o única região cerebral que é modificada estruturalmente durante cada uma das categorias de meditação, inclusive com aumento a densidade de neurônios na região. No presente estudo a prática de meditação mostrou aumento funcional da região, mas não estrutural. Provavelmente dado o curto espaço de tempo dos praticantes de meditação. Porém a análise funcional revelou conexões diversas entre as diferentes áreas cerebrais.

Cortex Insular

Conclusões

Os resultados do presente trabalho fornecem uma primeira indicação do potencial relação entre os efeitos benéficos da Meditação Transcendental sobre a depressão, ansiedade e estresse e uma reorganização da conectividade funcional do cortex insular. Refletindo uma experiência na regulação do equilíbrio entre consciência interna e externa. Curiosamente, essas mudanças foram observadas após um período de prática relativamente breve (3 meses), em adultos saudáveis que praticavam em casa, sem necessidade de assistência ou supervisão específica do dia a dia. Enquanto que um acompanhamento mais longo seria necessário para determinar se as alterações psicológicas e funcionais permanecem estáveis ao longo do tempo. Contudo, podemos, sem sombra de dúvida, indicar práticas meditativas para todos os pacientes, especialmente aqueles que sofrem de quadro ansioso ou depressivo. O quanto o estado mental afeta nosso corpo e como a prática da meditação promove esses benefícios ainda não estão claros para neurociência. Porém cada avanço permite entender um pouco mais de como tudo pode estar conectado.

Referência

Avvenuti, G., Leo, A., Cecchetti, L., Franco, M. F., Travis, F., Caramella, D., Bernardi, G., Ricciardi, E., & Pietrini, P. (2020). Reductions in perceived stress following Transcendental Meditation practice are associated with increased brain regional connectivity at rest. Brain and cognition, 139, 105517. https://doi.org/10.1016/j.bandc.2020.105517

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1 comentário em “Meditação e Neuroimagem”

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