Infecção Urinária

O que é Infecção Urinária?

As infecções do trato urinário, também chamadas de “ITUs”, popularmante chamadas de infecção de urina são infecções que afetam qualquer parte do sistema urinário da bexiga aos rins.

Tipos de Infecção

As infecções da bexiga são mais comuns do que as infecções renais. Eles acontecem quando as bactérias entram na uretra e sobem para a bexiga. O termo médico para infecção da bexiga é cistite (CID 10 N300). Caso a infecção ocorra no canal que excreta a urina para fora do corpo denomina-se uretrite (CID 10 N341). Se estiver localizada no canal que liga os rins à bexiga (ureter) é classificada como ureterite. As infecções renais acontecem quando as bactérias viajam ainda mais alto, para a gordura adjacente aos rins o termo médico é pielonefrite.

Tipos de Infecção de Urina

Sintomas de Infecção Urinária

As manifestações clínicas clássicas da cistite são:

  • Ardência ao urinar (disúria)
  • Fazer xixi muitas vezes e em pouca quantidade (polaciúria)
  • Urgência urinária (Vontade incontrolável de urinar)
  • Dor no pé da barriga (suprapúbica)
  • Sangramento na urina (hematúria)

Os Sintomas em idosos são diferentes?

Sim, podem ocasionalmente ser sutis e mais difíceis de identificar. Além disso, os sintomas clássicos podem não representar uma infecção, por exemplo: mulheres mais velhas podem ter uma série de sintomas urinários inespecíficos (como ardência crônica ou incontinência urinária) que imitam sintomas de cistite.

Em idosos podemos usar outros sintomas em consideração:

  • Noctúria urinária crônica (Urinar mais a noite do que antes por alguns dias seguidos)
  • Incontinência (Perda involuntária de urina)
  • Mal-estar.
  • Dor ou tensão no pé da barriga
  • Febre
  • Calafrios
  • Mudança de cor ou odor da urina
  • Alteração do estado mental

Os sintomas acima podem levantar apenas a suspeita de infecção porém não são específicos para definir o diagnóstico sem avaliação médica.

Como se pega infecção de urina?

Nas mulheres, começa com a contaminação do introito vaginal por bactérias/fungos da flora fecal, seguida pela ascensão através da uretra (canal do xixi) na bexiga e, no caso da pielonefrite, aos rins através dos ureteres. Em homens via de regra é necessário alguma alteração do funcionamento do sistema urinário podendo envolver próstata, bexiga ou ureteres.

Por que mulher tem mais do que homem?

A cistite entre as mulheres é extremamente comum. A distância do ânus até a uretra provavelmente explica por que elas têm maior risco de infecções urinárias do que os homens. Em outras palavras, é mais fácil uma bactéria contaminar a urina devido o canal do xixi ser muito próximo da vagina e do ânus além dele ser curto. Estima-se que as mulheres tem aproximadamente 50 vezes mais chance de contrair uma infecção de urina do que os homens.

Como se pega infecção de urina

É possível pegar após relação sexual?

Sim. Entre mulheres saudáveis, alguns comportamentos podem explicar a causa das cistites como relações sexuais recentes (manipulação da uretra contaminando a urina), o uso de preservativos revestidos de espermicida e diafragmas também estão associados a um aumento do risco de infecção urinária. Contudo infecção de urina não é considerada uma DST.

Fiz algo de errado para pegar infecção de urina?

Não necessariamente, pode acontecer espontaneamente, mas existem alguns comportamentos que facilitam o aparecimento de infecção de urina:

  • Desidratação, baixa ingesta de líquidos
  • Uso de produtos perfumados em região genital
  • Higiene inadequada
  • Calças apertadas e materiais que propiciem excesso de suor
  • Absorventes internos
  • Relação sexual

Principais bactérias causadoras de infecção de urina:

Uma bactéria chamada Escherichia coli é a mais frequente de todas representando de 75% a 95% de todos os casos seguida por um grupo de bactérias denominado Enterobacteriaceae sendo as principais representates Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilis. Também é possível encontrar Staphylococcus saprophyticus.

Entre as mulheres não grávidas saudáveis, o isolamento de organismos como lactobacilos, enterococos, estreptococos do Grupo B e estafilococos coagulase-negativos, comumente representa a contaminação da amostra de urina e não infecção verdadeira.

E. Coli

Como ter certeza que é infecção de urina?

Uma avaliação clínica mediante pacientes com sintomas agudos comuns e na ausência de sintomas vaginais (por exemplo, coceira ou corrimento vaginal) geralmente é suficiente. A chance de acerto somente com a história clínica típica é maior do que 90%. O exame físico geralmente não é necessário para o diagnóstico. Um exame pélvico é indicado se houver sintomas ou sinais sugestivos de vaginite ou uretrite. Para a maioria das mulheres com suspeita de cistite simples aguda, particularmente aquelas com sintomas clássicos, nenhum teste adicional é necessário para fazer o diagnóstico.

Caso o paciente manifeste febre, calafrios, fadiga acentuada, mal-estar, dor no flanco ou nas costas existe maior probabilidade de pielonefrite ou extensão da infecção para além da bexiga e, portanto, consideramos que o paciente tem uma infecção de urina complicada.

Quando fazer exames?

No entanto, em mulheres com características clínicas sugestivas, mas não claramente diagnósticas de cistite (como sintomas urinários atípicos), podemos utilizar exames de urina, pois caso o exame mostre um resultado normal provavelmente se trata de um diagnóstico diferente de cistite.

Não testamos a urina rotineiramente em pacientes idosos ou debilitados com alterações inespecíficas do estado mental na ausência de sintomas focais do trato urinário. Em vez disso, hidratamos, observamos cuidadosamente e avaliamos outros fatores contribuintes.
A cultura de urina é geralmente desnecessária em mulheres com cistite simples aguda, mas deve ser realizada em pacientes com risco de infecção por um organismo resistente. O teste de gravidez é apropriado em mulheres com potencial para engravidar quando a possibilidade de gravidez não pode ser razoavelmente excluída apenas pela história.
O exame de sangue não é garantido para pacientes com cistite simples aguda e não deve ser realizado de rotina.

Quais os tipos de exames que pode ser feitos?

Laboratoriais

Urina tipo I (EAS / Sedimento urinário) – Avalia-se principalmente a presença de leucócitos, hemáceas e bactérias, geralmente fica pronto em poucas horas. Muito útil para confirmar ou descartar a infecção por meio de exame rápido e preciso.

 

Cultura de Urina (Urocultura) – Coloca-se a amostra de urina em um meio de cultura para tentar identificar o nome da bactéria e quais antibióticos são eficientes contra ela, mas demora em torno de 72h para ficar pronto. Utilizado largamente para infecções de repetição, hospitalares ou dúvidas diagnóticas.

Imagem

Geralmente são solicitados para avaliar infecções mais avançadas e com sintomas mais acentuados. Principalmente a temida pielonefrite. Os dois mais utilizados na fase aguda são a ultrassonografia e tomografia computadorizada. Em caso de investigações mais aprofundadas de infecções crônicas ou de repetição a ressonância magnética e a cistoscopia tem papel importante para esclarecer melhor a origem do quadro.

Urocultura

Quais outras doenças podem imitar os sintomas da Infecção Urinária?

  • Vaginite – Em mulheres com ardência, a presença de corrimento ou odor vaginal forte, coceira e dor na relação sexual deve-se levar em consideração a vaginite. As causas da vaginite incluem infecção por fungos, tricomoníase e vaginose bacteriana.
  • Uretrite – A avaliação para uretrite é garantida em mulheres sexualmente ativas com ardência, particularmente aquelas com alteração no exame de urina, mas sem bactérias. As causas de uretrite em mulheres incluem clamídia, gonorreia, tricomoníase, espécies de Candida, vírus herpes simplex e irritantes não infecciosos, como um gel anticoncepcional.
  • Síndrome da bexiga dolorosa – É um diagnóstico de exclusão em mulheres que apresentam desconforto contínuo relacionado à bexiga com sintomas de ardência, frequência e / ou urgência, mas sem evidência de infecção ou outra causa identificável.
  • Doença inflamatória pélvica aguda – Dor abdominal ou pélvica e febre são os achados clínicos mais comuns em pacientes com doença inflamatória pélvica (DIPA), embora ardência também possa estar presente. O exame pélvico se faz necessário para confirmação.

Tratamento

A maioria das infecções do trato urinário são tratadas com antibióticos. Essas pílulas atuam matando os germes que causam a infecção. Caso a infecção seja na bexiga, provavelmente a duração do tratamento será de 3 a 7 dias. Se for uma infecção renal, provavelmente precisará de mais tempo a depender da gravidade, inculisive é possível que haja necessidade de internação hospitalar com medicações na veia.

Os sintomas devem começar a melhorar em até 3 dias após o início dos antibióticos. Mas para um bom resultado, é necessário terminar todos os dias do tratamento. Caso contrário, a infecção pode voltar e ainda pior.

Muitas vezes utilizamos medicamentos para tirar a dor da bexiga reduzindo também a necessidade de urinar. Tais como: Dipirona, Paracetamol, Cystex, Pyridium e etc.

Na maioria dos quadros de cistite ou uretrite simples antibióticos comuns via oral são suficientes. Os principais guias de uso empírico dos antimicrobianos dos EUA e Europa indicam o uso de Nitrofurantoina (Macrodantina) ou Sulfametoxazol + Trimetoprima (Bactrim) para tratamento inicial. Contudo diversos outros tipos podem ser utilizados como: Ciprofloxacino, Norfloxacino, Fosfomicina, Cefalexina (especialmente em gestantes), Amoxicilina + Clavulanato de Potássio e etc.

O uso de bebidas caseiras e chás pode contribuir no processo de recuperação, mas não devem ser utilizados de forma isolada. Alguns dos mais usados incluem: Chá de Aroeira, suco de Melancia, Cranberry, Chá de Carqueja e Manjericão entre outros.

Importante

Para um tratamento eficiente busque sempre atendimento médico. A auto-medicação sem orientação adequada pode mascarar os sintomas e piorar a situação em um curto espaço de tempo. E sim uma infecção de urina complicada pode levar a um quadro de sepse e consequemente ser fatal. Ainda mais se o paciente já tiver alguma debilidade de base, baixa imunidade por câncer, HIV, doenças crônicas, gestantes e etc.

Dicas para evitar infecções de repetição

Em primeiro lugar, deve-se certificar de que as infecções estão realmente acontecendo, para isso é necessária avaliação médica criteriosa.

  • Evitar espermicidas (cremes para matar espermatozoides). Se você usa espermicida e tem muitas infecções de urina, pode tentar mudar para uma forma diferente de controle de natalidade.
  • Beber mais líquido – Uma boa hidratação é fundamental para prevenção
  • Urinar logo após o sexo – Isso pode ter um impacto porque ajuda a eliminar os germes que entram na bexiga durante o sexo. Não há prova de que funcione, mas também não causa problema.
  • Estrogênio vaginal – Se você for uma mulher que já passou pela menopausa, seu médico pode sugerir isso. O estrogênio vaginal vem em um creme ou um anel flexível que você coloca na vagina.
  • Antibiótico por tempo prolongado – Se você tiver muitas infecções da bexiga e os métodos acima não tiverem ajudado, seu médico pode prescrever antibióticos para ajudar a prevenir a infecção. Isso tem desvantagens, então geralmente é melhor tentar outras coisas primeiro.

O suco de Cranberry pode prevenir infecções de urina?

Os estudos sugerindo que os produtos de cranberry previnem infecções da bexiga não são muito bons. Outros estudos sugerem que eles não funcionam. Mas se você quiser experimentar produtos de cranberry para esse propósito, provavelmente não haverá mal em fazê-lo e existe a possibilidade de êxito.

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